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Idosos na família: A sobrecarga invisível do cuidador e os desafios na psicoterapia de quem exerce esta função.

Você já ouviu aquele antigo ditado que diz: “Um pai cuida de dez filhos, mas dez filhos não cuidam de um pai”?

Na prática clínica, essa máxima se confirma com frequência. Quantas vezes presenciamos arranjos familiares em que, diante do envelhecimento dos pais, um único filho acaba assumindo a maior parte das decisões, responsabilidades e atividades diárias?

Esse cenário de desequilíbrio é extremamente comum, inclusive quando não existe nenhuma definição jurídica ou acordo formal entre os parentes.

Quando essa pessoa que centraliza os cuidados chega ao nosso consultório como paciente, a sobrecarga e o desamparo familiar inevitavelmente se tornam tema das sessões.

O esgotamento físico é apenas uma camada; por baixo dela, operam dinâmicas psicológicas complexas que exigem do terapeuta uma escuta ativa e intervenções coerentes.

Nesses casos, o manejo clínico habitualmente envolve por exemplo;

Auxiliar o paciente a compreender que estabelecer limites não é um ato de egoísmo, mas de preservação. O trabalho terapêutico envolve capacitá-lo a comunicar suas necessidades de forma assertiva e a delegar funções práticas e financeiras aos demais parentes ou rede de apoio.

O consultório deve ser um porto seguro para a expressão de afetos. É comum o surgimento de uma profunda frustração diante da omissão alheia, além da manifestação do luto antecipatório, seja pelo parente que antes era funcional e agora se encontra dependente, ou até mesmo pela despersonalização decorrente do processo de envelhecimento que pode acarretar declínio cognitivo, além da diminuição da mobilidade e demais funções motoras.

O cuidador principal frequentemente é assombrado pela culpa, seja por sentir raiva da situação, por desejar ter mais tempo para si ou por achar que nunca está fazendo o suficiente. Desmistificar essa idealização do “cuidado perfeito” é essencial para aliviar a autocrítica punitiva.

O paciente precisa de suporte para reconhecer o que está e o que não está sob o seu controle. Ele não pode controlar a empatia ou a proatividade dos seus irmãos e demais parentes, mas pode controlar a forma como reage a essa ausência e como protege a sua própria saúde mental.

Acolher o cuidador, é ajudá-lo a transitar da posição de “salvador solitário” para a de um sujeito que também precisa de amparo, validação e cuidado.

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