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O Poder Terapêutico do Palavrão: A Ciência por trás da “Maledicência”

Muito se fala sobre a importância de manter o pensamento positivo para superar adversidades, como doenças e outros desafios. No entanto, alguns experimentos científicos, questionam essa premissa em contextos específicos.

Um exemplo clássico é o estudo em que participantes precisavam manter as mãos submersas em um balde de gelo. O experimento demonstrou que as pessoas incentivadas e autorizadas a falar palavrões tiveram uma tolerância à dor e ao desconforto significativamente maior do que aquelas orientadas a permanecer em silêncio.

Outro estudo, publicado na Frontiers in Psychology, revelou inclusive que os palavrões tradicionais possuem um efeito analgésico superior ao de palavras inventadas ou misturas entre termos chulos e neutros. Quando se trata de dor física, a teoria mais aceita é que o ato de xingar contribui para a ativação do mecanismo biológico de “luta ou fuga”, gerando um efeito analgésico como consequência.

Para além da dor física, a expressão de emoções consideradas negativas pode servir inclusive como uma poderosa estratégia de regulação emocional. Este tópico é extremamente relevante na psicoterapia, pois; muitas vezes, o consultório é o único espaço onde o indivíduo sente que sua dor emocional pode ser validada e expressa sem julgamentos.

Um exemplo recente desse efeito “impulsionador” aparece na série Shrinking (no Brasil, Falando a Real). O personagem de Harrison Ford é um psicoterapeuta experiente diagnosticado com a doença de Parkinson. Ao perceber que possui um espaço de acolhimento entre amigos, passa a xingar a doença frequentemente como uma forma de vazão emocional.

Cabe ressaltar, no entanto, que o uso de palavras de baixo calão é apenas uma estratégia para lidar com o sofrimento, ela não deve ser a única, nem deve ditar comportamentos impulsivos. Diante de uma doença crônica ou de dor intensa, lançar mão de uma certa “ausência de polidez verbal” é válido para amenizar o peso do momento, mas isso não substitui tratamentos médicos, mudanças comportamentais ou a eficácia que o pensamento positivo também possui em outros contextos.

No fim das contas, sejamos honestos: quem nunca sentiu um alívio tão grande após um xingamento bem colocado que acabou recuperando o fôlego para seguir em frente?

Links úteis:

https://veja.abril.com.br
https://www.frontiersin.org
https://super.abril.com.br
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