Mais uma vez chegamos ao mês de Outubro e, com ele, às campanhas do Outubro Rosa, um período dedicado à conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.
Excetuando-se os casos de câncer de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo mais incidente entre as mulheres. Houve um aumento considerável (em torno de 20%) em sua ocorrência na última década; contudo, quando a detecção é feita precocemente, as chances de cura superam os 90%, índice expressivo, que também se observa em outros tipos de neoplasias.
A evolução nos exames diagnósticos e nos tratamentos modernos têm elevado de forma substancial a taxa de sobrevida. Consequentemente, é cada vez mais comum recebermos no consultório pacientes em tratamento ativo, em remissão ou em cuidados paliativos. Diante disso; como manejar adequadamente as demandas específicas da oncologia?
Trata-se de um tema amplo, complexo e delicado. Inclusive, oferecemos em nossa plataforma um curso dedicado a aprofundar os tópicos que atravessam a realidade oncológica no ambiente clínico. A seguir, destacamos alguns aspectos fundamentais para quem atende o próprio paciente ou seus familiares próximos:
Escuta ativa e acolhimento sem invalidação: É crucial acolher o sofrimento sem minimizá-lo ou cair na armadilha da “positividade tóxica”.
Muitas vezes, o consultório de psicologia é o único espaço onde o indivíduo pode expressar sua dor sem julgamentos ou atenuantes, já que no convívio social costuma ser constantemente pressionado a “ser forte” ou “manter o otimismo”. Um espaço de escuta pura e livre de cobranças é vital nesse momento.
Suporte no estabelecimento de limites: Frequentemente, o diagnóstico atrai visitas não solicitadas, opiniões intrusivas e abordagens de pessoas pouco próximas. Oferecer ferramentas para que o paciente imponha limites claros e saiba pedir ajuda apenas para o que for essencial é um passo valioso, especialmente para aqueles que já apresentavam dificuldade em dizer “não”.
Adesão e alinhamento ao tratamento médico: Diante de uma enfermidade grave, é comum a busca por terapias alternativas ou promessas de curas milagrosas. Quando tais práticas complementam e respeitam a conduta médica tradicional, podem atuar como aliadas; porém, quando surgem como substitutas ao tratamento científico, colocam em risco direto a vida do paciente. Cabe ao profissional de psicologia intervir e emitir esse alerta de forma ética e clara.
Compreensão do universo oncológico: Familiarizar-se com os termos, procedimentos e etapas do tratamento (dentro do escopo necessário à atuação psicológica) fortalece a aliança terapêutica e proporciona maior segurança no manejo do caso.
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