Na era da informação, os desafios da prática psicológica se transformaram. Se antigamente a figura do terapeuta era envolta em mistério, hoje as redes sociais permitem que o paciente acesse, com poucos cliques, fragmentos da vida pessoal do profissional. Essa nova realidade exige limites ainda mais claros para proteger a integridade do processo terapêutico.
Ciência vs. Convicções Pessoais:
A Psicologia é uma ciência baseada em evidências, com técnicas validadas e testadas. Por isso, as crenças religiosas, filosóficas, políticas, orientações sexuais ou de gênero do psicólogo, não devem interferir ou ser incentivadas durante as sessões.
O consultório deve ser um espaço neutro. Quando opiniões pessoais ou preceitos do terapeuta entram em cena, fere-se a ética profissional e a autonomia do paciente, desvirtuando-se do princípio da atuação da Psicologia que é baseado em ciência.
O Título Profissional e as Técnicas Complementares
Um ponto fundamental é que o título de psicólogo não deve ser utilizado para validar práticas que não pertencem ao campo da Psicologia.
Um exemplo marcante ocorreu em 2023, quando o Conselho Federal de Psicologia (CFP) revisou e reafirmou a incompatibilidade das Constelações Familiares com o exercício da Psicologia e isto significa que, o profissional tem a liberdade de seguir a religião ou filosofia que desejar em sua vida privada, no entanto; ele não pode misturar essas práticas com o atendimento psicológico.
Conforme o Código de Ética (Art. 2º), é vedado ao psicólogo induzir convicções políticas, filosóficas, morais ou religiosas no exercício de suas funções.
A Vitrine das Redes Sociais – Exposição que pede cuidado:
Muitos profissionais mantêm perfis ativos onde expressam suas opiniões como cidadãos. Não há proibição quanto a isso, mas recomenda-se cautela.
As redes sociais funcionam como uma vitrine que é constantemente acessada por pacientes atuais e potenciais. Quando a exposição pessoal é excessiva ou carregada de posicionamentos rígidos, isso pode gerar equívocos e até ruídos no vínculo terapêutico, dificultando a construção de um ambiente de acolhimento livre de julgamentos.
Conclusão: A ética profissional exige que o psicólogo saiba separar quem ele é como indivíduo de quem ele é como prestador de serviço de saúde. Ao garantir que suas práticas estejam fundamentadas apenas em recursos reconhecidos e regulamentados, o profissional protege não apenas o seu nome, mas, principalmente, o bem-estar e a liberdade de quem o procura.
Denise Walder Ferolla – CRP/PR 19.605






