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Atendimento Infantil e a importância de firmar a Aliança Terapêutica com os pais

O atendimento clínico de crianças traz desafios que vão muito além do manejo direto com os pequenos. Frequentemente, profissionais relatam dificuldades na interação com os pais ou responsáveis, uma realidade que ganhou destaque recentemente, após a repercussão de um suposto áudio de uma mãe que circulou nas redes sociais. O conteúdo trazia uma clara distorção da atuação do psicólogo e evidenciava a falta de compreensão sobre como funciona a psicoterapia infantil.

Independentemente da veracidade desse caso específico, o movimento de psicólogos expondo suas dificuldades trouxe à tona uma questão crucial: a família precisa estar comprometida e ser aliada do profissional para que os resultados sejam satisfatórios.

O trabalho terapêutico corre sérios riscos quando os pais tentam “terceirizar” os problemas dos filhos para os profissionais de saúde, isentando-se do compromisso de fazer parte da solução. É fundamental lembrar que o ambiente familiar e a escola são os espaços onde a criança passa a maior parte do seu tempo. Se ela apresenta dificuldades, há, invariavelmente, uma interferência desses contextos.

Levar a criança para uma sessão semanal de 50 minutos não é suficiente para sanar questões que ocorrem continuamente fora do consultório, a menos que haja um compromisso genuíno daqueles que exercem papéis centrais na vida do paciente.

Para evitar mal-entendidos e garantir a fluidez do processo, o psicoterapeuta deve:

Estabelecer um contrato claro:  Alinhar desde a primeira entrevista, as expectativas e papéis destinados a cada um dos envolvidos no processo. Outros tópicos que devem fazer parte deste momento são; o sigilo, o objetivo do processo terapêutico e seus limites.

A revisão constante: A comunicação com os pais não deve ocorrer apenas no início, é um processo contínuo e transparente, reforçando acordos e demonstrando a evolução da criança em relação as demandas trazidas.

Transparência: Caso fiquem evidentes barreiras que impedem a família de contribuir positivamente no momento, o psicólogo deve comunicar isso de forma ética e clara, avaliando a viabilidade da continuidade ou a necessidade de intervenções paralelas (como terapia de casal ou orientação parental).

A psicoterapia infantil é, acima de tudo, um trabalho colaborativo. Sem a “ponte” entre o consultório e a casa, o caminho para o bem-estar da criança torna-se muito limitado ou até inviável.

Você atende crianças e se identificou com esse cenário? Como tem sido sua experiência em firmar essa aliança com os pais?

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