O uso das redes sociais tornou-se um componente onipresente na vida moderna. Para o paciente que enfrenta uma rotina extenuante, com demandas profissionais que exigem atenção ininterrupta e poucas pausas para descanso, o ato de “rolar o feed” frequentemente surge como uma estratégia de descompressão mental e relaxamento imediato.
Esta tática, quando utilizada com consciência e aliada a outras práticas de autocuidado, pode até oferecer um breve alívio para o estresse. No entanto, a linha que separa o lazer do comportamento compulsivo é tênue e merece atenção clínica.
As plataformas digitais não são neutras. Seus algoritmos são projetados para aprender interesses em tempo real, entregando conteúdos massivos, assertivos e altamente estimulantes. Somado a isso, interfaces de “tela cheia” que ocultam indicadores temporais (como o relógio do sistema) criam um ambiente de imersão profunda, propício ao descontrole e, em casos mais graves, ao vício.
Em artigo publicado no portal UOL em setembro de 2023, o Dr. Drauzio Varella ressaltou a urgência do controle de estímulos e do tempo de tela. A base dessa preocupação é neuroquímica: diversos estudos demonstram que a dopamina (neurotransmissor central no sistema de recompensa do cérebro) é extremamente sensível aos estímulos das mídias digitais.
A busca incessante por dopamina através dessas plataformas opera de forma análoga ao mecanismo de dependência de substâncias psicoativas, como a cocaína. O cérebro, condicionado às recompensas rápidas e variáveis (curtidas, notificações, vídeos curtos), pode desenvolver uma tolerância que exige cada vez mais tempo de exposição para obter a mesma sensação de satisfação.
O Cenário Brasileiro – Dados recentes de uma pesquisa da Consumer Pulse, divulgados pela CNN, revelam um cenário alarmante para a saúde mental no Brasil:
O brasileiro adulto passa, em média, mais de nove horas por dia conectado, superando significativamente a média global.
Desse total, mais de três horas diárias são dedicadas exclusivamente às redes sociais.
Esses números acendem um alerta crítico sobre o excesso de consumo de conteúdo.
Para o profissional de psicologia, é fundamental auxiliar o paciente a identificar se o uso das redes sociais ainda cumpre um papel de relaxamento ou se já se transformou em um mecanismo de fuga prejudicial, alimentando um ciclo de ansiedade e dependência digital.
Links úteis:






