O crescimento exponencial nos diagnósticos de neurodivergência tem transformado a rotina dos consultórios de psicologia e psiquiatria. Tradicionalmente, a demanda clínica concentra-se na melhora de sintomas e no manejo de déficits funcionais. Os Médicos focam nas intervenções medicamentosas e os Psicólogos utilizam estratégias para mitigar dificuldades de concentração, organização, gerenciamento de tempo e controle de impulsividade.
Entretanto, uma perspectiva que ainda carece de maior exploração no cenário terapêutico, é o mapeamento e a ampliação das potencialidades intrínsecas ao TDAH, pois; tão importante quanto o manejo das dificuldades é a identificação de como o funcionamento neurodivergente pode ser um catalisador de habilidades singulares.
Características como; a criatividade aguçada, a inclinação por ambientes dinâmicos, a capacidade de hiperfoco em áreas de interesse, a empatia e a boa comunicação verbal são traços frequentemente observados. Além disso, a velocidade de processamento das informações recebidas e a habilidade de realizar múltiplas tarefas (quando bem direcionadas) representam valiosos recursos cognitivos.
Se estas competências forem estimuladas com o mesmo intensidade que dedicamos as dificuldades, o paciente não apenas minimiza suas vulnerabilidades, mas aprimora seus pontos fortes. Essa abordagem terapêutica promove:
Aumento da autoconfiança: O paciente deixa de se ver apenas através do prisma da falta.
Integração da identidade: A neurodivergência passa a ser compreendida como um espectro de “ônus e bônus”, similar à variação de habilidades encontrada em indivíduos neurotípicos.
Responsabilização e autonomia: Ao desmistificar o transtorno como um simples “déficit”, combatemos a tendência de utilizar o diagnóstico como justificativa para comportamentos desadaptativos, incentivando o indivíduo a se apropriar de seu funcionamento para navegar de forma mais eficaz nas esferas pessoal e profissional.
Denise Walder Ferolla – CRP/PR 19.605






