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Transtorno do Espectro Autista: Conceitos e Perspectivas

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), assim como o TDAH e a dislexia, é uma condição que se enquadra no conceito de neurodivergência. “Neurodivergente” é o termo utilizado para descrever indivíduos cuja mente funciona de maneiras que divergem significativamente dos padrões sociais dominantes, conhecidos como neurotípicos.

Cabe ressaltar que o funcionamento neurológico no TEA é uma condição congênita, ou seja, o indivíduo nasce com ela, portanto; a observação de sinais já na primeira infância pode contribuir para um diagnóstico precoce, propiciando um acompanhamento mais adequado e eficaz.

Manifestações e Sinais Comuns: O TEA impacta, especialmente, a organização de pensamentos, sentimentos e emoções, o que pode comprometer a comunicação e a interação social. Algumas das manifestações comuns na infância incluem:

Alterações ou atraso no desenvolvimento da fala;

Comportamentos atípicos em interações sociais;

Isolamento ou dificuldade em estabelecer contato visual;

Alterações sensoriais: Desregulação emocional diante de barulhos fortes, seletividade alimentar (rejeição ou preferência absoluta por certos alimentos) e incômodo com determinadas texturas.

Potencialidades do TEA: Por outro lado, o TEA traz potencialidades que, em algumas áreas, podem superar as de indivíduos neurotípicos.

Entre esses pontos fortes, destacam-se:

Hiperlexia: Aprender a ler muito cedo;

Capacidade de memorizar e apreender informações rapidamente;

Elevada aptidão para o pensamento lógico e áreas técnicas (ciências, engenharia e matemática);

Precisão, orientação a detalhes e excelente senso de direção;

Honestidade, confiabilidade e pontualidade excepcionais;

Alta disciplina e aderência a regras;

Elevada capacidade de concentração em tópicos de interesse (hiperfoco);

Habilidade na solução de problemas baseada em lógica e objetividade.

Espectro e Níveis de Suporte: Ao falarmos de autismo, outros dois termos são fundamentais: Espectro e Suporte.

O termo “Espectro” foi incluído em 2013 na nomenclatura oficial devido à enorme diversidade de sintomas e níveis que as pessoas apresentam. Cada indivíduo com autismo possui seu próprio conjunto de manifestações, tornando-o único.

Além disso, existem três níveis de suporte:

Nível 1 (Suporte Leve): Abrange pessoas com menos limitações e maior autonomia;

Nível 2 (Suporte Moderado): Exige auxílio intermediário para atividades cotidianas;

Nível 3 (Suporte Intenso): As dificuldades são mais severas, exigindo suporte substancial para que o indivíduo consiga manter sua funcionalidade e realizar atividades diárias.

Aspectos Legais e Identificação: No Brasil, para efeitos legais, o TEA é considerado uma deficiência conforme a Lei Berenice Piana (Lei 12.764/2012). A identificação visual da condição é frequentemente feita pelo cordão com estampa de quebra-cabeça (específico para o autismo) ou pelo cordão de girassol com fundo verde, que representa deficiências ocultas de modo geral.

Tratamento e Vida Adulta: Assim como outras condições congênitas, o autismo não tem “cura”, mas as intervenções podem ser muito eficazes para minimizar limitações.

Na infância, o método mais conhecido é o ABA (Applied Behavior Analysis ou Análise Aplicada do Comportamento), uma terapia estruturada que visa promover independência e qualidade de vida.

Embora o foco inicial costume ser na infância para garantir autonomia, o acompanhamento profissional na vida adulta é igualmente necessário, independentemente do nível de suporte. A manutenção e a evolução das habilidades são constantes, além disso; incentivar o desenvolvimento das potencialidades assegura a autoconfiança e promove uma visão realista do TEA como uma neurodivergência que possui tanto ônus quanto bônus.

Conhecendo melhor seu funcionamento, o indivíduo deixa de utilizar a condição como justificativa para comportamentos desadaptativos e, apropria-se de suas características (únicas) para experienciar e interagir de forma mais eficiente e funcional nas esferas pessoal e profissional.

https://www.einstein.br/n/vida-saudavel/espectro-autista

http://infosus.saude.sc.gov.br/index.php/Metodo_ABA

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/autismo
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm

Denise Walder Ferolla – CRP/PR 19.605

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